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Professor Benedito Bueno: paciência e genialidade
Professor Benedito Bueno: paciência e genialidade

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novembro de 2015

Homenagem ao Prof. Benedito

Professor Benedito Bueno: paciência e genialidade tornando muito simples o que era complexo em 3 minutos

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Quando ingressei no curso de graduação de Civil da EESC-USP em 2002, por meio de prova de transferência vindo da UFAM (Federal do Amazonas), meu padrinho, professor de agronomia na UFV (federal de Viçosa), tinha me falado para visitar no Departamento de Geotecnia da EESC um amigo dele, ex-colega de UFV, chamado de Benedito Bueno. No meio do meu primeiro semestre na EESC, a aula tinha terminado mais cedo e, sem nada para fazer, resolvi ir visitar o tal do prof. Benedito para dizer um oi.

Quando cheguei no Dept. de Geotecnia, me falaram que ele estava no “Amarelinho”, o Laboratório de um negócio chamado “Geossintéticos”. Quando cheguei na frente da sala dele, bati na porta aberta. Ele me falou para entrar, parando de digitar no computador, e virando a cadeira para mim já com um sorriso de boas-vindas para um aluno de graduação que ele nunca tinha visto. Começava ali uma mudança completa na vida acadêmica e pessoal, de forma que eu nunca poderia imaginar, que me levaria para lugares que eu nem sonhava que teria chance de ir.

Me apresentei e falei que fui me apresentar por indicação do meu padrinho. Ele  já se colocou a disposição para qualquer ajuda. Foi aí que fiz a pergunta para ele que mudou minha vida: “-Prof. Benedito, o que são geossintéticos?”. O Prof da EESC, expoente dos geossintéticos no Brasil, autor de incontáveis artigos e orientador de diversas dissertações e teses, ainda na sua simplicidade, na sua paciência, na sua paixão de educador e no seu entusiasmo de geossintéticos, se levanta então e leva este aluno de graduação desconhecido para um tour ao laboratório de geossintéticos montado por ele. O tour foi completo, com explicações sobre os diferentes materiais de que são feitos os geossintéticos, suas incontáveis aplicações, e os diferentes ensaios de laboratório utilizados para avaliar a qualidade destes materiais tão versáteis. Tudo isso com entusiasmo e alegria de como se fosse uma criança com um brinquedo novo.

Depois disso, claro, fiquei atraído e muito curioso sobre os geossintéticos. O prof. Benedito me deu a oportunidade de fazer um pequeno estágio na laboratório, projeto FIPAI, “-para ver se eu ia gostar”. Ele não me conhecia como aluno, pois meus créditos em Mecânica do Solo cursados na UFAM foram aproveitados na USP. Deu certo, e fiz iniciação científica e Mestrado sob a orientação do Prof. Benedito. Durante este tempo constatei a genialidade dele. Um exemplo simples disso foi durante o mestrado, quando eu estava projetando um tensiômetro de sucção matricial para minha pesquisa. O strain gauge que eu precisava usar com o tensiômetro era do tipo circular/diafragma, e precisava de um circuito um pouquinho diferente do tradicional. Fiquei quase 1 hora com o Clever tentando achar como fazer esse circuito elétrico do strain gauge, até que desisti e pedi ajuda ao prof. Benedito. Disse o prof. Benedito: “-ok Julio, vamos desenhar um rascunho do esquema desse strain gage”. E depois ele me fez uma pergunta, que respondi e ele fez um esqueminha no desenho. No momento que ele fez a segunda pergunta, eu vi a solução. Menos de 3 minutos, e o prof. Benedito já tinha me feito pensar no caminho certo para chegar na resposta. Ele, como professor muito didático, dificilmente dava a resposta diretamente. Tinha a paciência, mesmo estando atarefadíssimo, em tomar o caminho mais longo para ensinar da forma que o aluno não se esquecesse mais e tirasse mais um aprendizado. Acho que isso resume a genialidade dele: tornava simples o que parecia difícil (60 minutos resolvidos em 3 minutos).

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Ele depois me deu uma grande oportunidade para ser o aluno de uma bolsa de doutorado completo no exterior da CAPES. Ele conseguiu converter a partir de uma cota de 2 bolsas de pós-doutorado, e talvez uma de doutorado-sanduíche, de várias bolsas CAPES que ele tinha como pesquisador de ponta. Ele fez uma parceria com o prof. Jorge Zornberg, da Universidade do Texas em Austin (UT), que se comprometeu a pagar as taxas da universidade para um doutorado completo. O prof. Benedito, mesmo durante meu mestrado, me deu um mês livre para eu me dedicar apenas a prova do GRE e preparar minha candidatura ao programa de doutorado da UT. Passei na prova do GRE e na seleção e, com mais essa grande ajuda do prof. Benedito, fui para o exterior fazer o doutorado. Daí qualquer um pode ver o impacto que isso teve na minha vida.

O prof. Benedito mudou minha vida, e tenho certeza que mudou a vida de muitas outras pessoas também, sempre empurrando seus alunos a alcançar degraus mais altos com ensinamentos valiosos para a vida e a profissão. Ele deixa muitas saudades, e faz falta a engenharia Brasileira. Mas ele vive por meio de sua família com esposa, seus 2 filhos e filha, e sua família acadêmica com seus muitos ex-alunos que por onde se encontram, se celebram quase como irmãos por causa deste elo forte com a pessoa importante que foi o prof. Benedito nas nossas vidas. Espero, quem sabe, honrá-lo com minha atuação na engenharia seguindo os princípios éticos e conhecimento repassados pelo Prof. Benedito. Celebremos sempre o Prof. Benedito no dia-a-dia!

Julio A. Zambrano Ferreira

Geotécnico especializado em Geossintéticos, ex-aluno de Mestrado e Iniciação Científica do Prof. Benedito

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